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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Uma cantora quer falar com Deus e não é Elis



Ouve o mundo e quem está por perto de forma vampiresca, meio blue, meio rock in roll. Nenhum DJ ou cansaço se forma em seus ouvidos quando o eco e a repetição pedem recomeço: ela opta pelo bis afirmativo e por aí vai o seu som.

Uma figura sempre no ritmo da chuva e dos instrumentos tocados na carne. Farta de Diadorim e suas neblinas, nenhuma neura com a sombra ela tem. Nem com a luz do som que invade a escuridão dos tímpanos, deus seja louvado.

Ouviu da tia que dúvida mata afeto, aduba e prolonga esperas que é uma beleza. Será? Curte uma cantora de voz pequena que mendiga alegria e farinha para o seu público. Ambas usam as mesmas assertivas que sugerem perguntas tipo Como é que se faz para ser possível continuar cantando ou Qual é mesmo o tom no qual deus fala conosco, meu deus?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Retiro Mineiro

1

Alguma Tecnologia

fogão à lenha, filtro de barro
rede armada, lanterna acesa



2

Assovio no Vento Escuro

o som liso traz algo tátil
acende lareira



3


Tu


triste ausência ritmada
ao som da chuva que cai

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Às curvas da estrada e da sola do pé



Embora tenha viajado por mares dantes, nunca ouviu chuva com a entrega de quem assiste missa. Também não pisa o limite de quem urra na cama ou num show.

Sabe que a antiga pitonisa continua solta dando senhas: são as pernas andróginas de Orlando e Dorian. Mas sempre do outro lado.

Como garçom, curte sola. Anuncia sempre um novo prato. Traz a inquietude de bandeja e repete falando sério: é bem melhor você parar com essas coisas. O sambódromo treme. O sertão inunda. Riobaldo acorda. Cansado de pactos nas veredas mortas, sussurra de amparo, aperta os dedos no pau da canoa e faz acordos que é uma beleza.

sábado, 14 de novembro de 2009

Golpe de Íris

Trechos da Aula da Saudade proferida, em 1992, para a turma concluinte do Curso Técnico em Agropecuária do Colégio Agrícola de Ceará-Mirim-RN.



No País do M(ag)istério

será mirim o que mira
o mel que vale a brisa?


&


Pureza Noturna

grilos estupram o silêncio


&


Oração à Chuva


a chuva ora
a chuva orna

líquidas agulhas bordam
o verde no barro


&


Aos Viajantes das BRs do Coração


amor não tem estepe


&



Um toque para ela que também sou eu

o bárbaro ainda dança
tem música de ouvido